sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

dia.

Suavemente como as ondas na lua cheia,
você veio, se aconchegou e ficou.
Brutalmente como a tempestade no verão,
você se foi, destruiu e me deixou.

E pouco a pouco eu me tornei,
o observador das vidas.
Tudo observo, tudo desejo,
nada consigo, nada vejo.

E assim eu escorri, 
como as minhas lágrimas daquele dia.
E assim eu vi, 
todos os dias, dia após dia, a sua vida,
sendo vida sem a minha.

Me disseram um dia:
" Se não podemos estar com quem amamos, 
devemos ficar com quem nos ama? "
Me indaguei: devemos?

quinta-feira, 22 de setembro de 2016

talvez.

Sempre me sinto incerto,
um tanto quanto incorreto,
em busca dos olhos certos,
eu estou incompleto.

Eu continuo cansado, caminhando.
Me sinto derrotado, mas sigo procurando.

Tão estranho, num mundo tão grande,
me sentir tão pequeno,
me sentir como um talvez,
em meio aos grandes sim.

Talvez eu seja mesmo um talvez,
um talvez repleto de possibilidades,
mas isso tudo é só um talvez.
mas talvez por talvez,
talvez você seja meus olhos certos?

quinta-feira, 14 de julho de 2016

Helena.

E mais uma vez me apaixonei por um sonho,
por um sorriso que nunca vou ver,
por um abraço que nunca vou sentir,
por um olhar que me fez cair,
por um beijo que nunca vou sentir.

Eu acordo chorando pois não vou a ter,
eu acordo com medo nunca mais a ver,
eu acordo inspirado para escrever,
pois para sempre eu poderei à ler.

Ela é linda, como um sonho mais ainda,
Ela sorria, com a felicidade embutida,
Ela é casada, com a liberdade e a loucura,
Ela é amada, por todo o sempre por minhas palavras.

sábado, 9 de abril de 2016

curto

A escuridão de meu quarto,
acaba sendo confortável,
a minha em pedaços,
mentalmente instável,
reza por uma saída,
desse sofrimento miserável,
de cada segundo de minha vida.

A luz ilumina a antiga escuridão,
os tolos se escondem entre lágrimas,
Eu me escondo na multidão,
ando de casa em casa, procurando um abrigo,
Vago por anos, procurando um coração.

Pela janela eu via tudo aquilo que eu não sentia,
pela mão eu sentia tudo aquilo que eu não via,
Eu era cego de vontade, aquilo era o que eu queria,
mas aquilo lá, eu nunca teria, e eu sabia.

A solidão me conduz,
pelos meios mais temidos,
o nome faz jus,
é solitário e infinito,
o vazio do meu viver,
a razão que eu queria ter,
aquilo que eu me tornaria.

sexta-feira, 1 de abril de 2016

puxado.

Acho que tudo começou naquela noite,
quando você me olhou, e me fez acreditar,
acreditar que eu vim da lua,
acreditar que anjos existem.
Eu me perdi, em pensamentos mirabolantes,
me envolvi em momentos marcantes,
prometi promessas irrelevantes,
jurei que seguiria adiante.

Que estranho, acreditar.
Acreditar que um dia anjos irão me salvar,
que um dia eu voltarei ao meu lar,
que a lua vai voltar a brilhar.

Tão triste lembrar dos dias que passei lá,
naquela imensa escuridão azul,
perdindo entre as ondas do mar,
correndo de norte à sul.

Estou defasado, o tempo está passando,
a maré vai puxando e devolvendo,
eu vou esquecendo o que eu não devia,
sinto que estou te perdendo,
mas eu sei que já te perdi,
caro amigo.